Belzebuth, um Deus-Demônio

Belzebu (Beelzebub, Beelzebul, Belzebuth, Baal-Zebub) não é apenas um nome antigo de um demônio cristão. Ele é uma entidade viva que atravessou milênios: de deus pagão filisteu a príncipe dos demônios na Bíblia com poder categórico de expulsão sobre outros demônios, e hoje uma força ativa e reverenciada em práticas de Quimbanda e magia brasileira.

Abaixo, uma linha cronológica resumida das principais menções e transformações de Belzebuth:

Período Fonte / ContextoRepresentação de Belezebuth
Século IX–VII a.C.2 Reis 1 (Bíblia Hebraica)Deus filisteu de Ecrom, “senhor das moscas”
Século I d.C.Evangelhos (NT)Príncipe dos demônios, sinônimo de Satanás
Séculos I–V d.C.Testamento de SalomãoPríncipe dos demônios, ex-anjo caído
Idade MédiaGrimórios (Chave de Salomão, Grand Grimoire, Verum)Demônio poderoso, sigilos de invocação, imperador infernal
Século XIXDictionnaire InfernalSenhor das Moscas, hierarquia infernal
Século XX–XXIMagia afro-brasileiraBelzebu, ligado ao poder, ancestralidade, cultos espirituais

Belzebu (ou Beelzebub, Beelzebul, Belzebuth, Baal-Zebub) é, em essência, o nome antigo de um deus pagão filisteu/cananeu que foi demonizado pelos autores hebreus e, posteriormente, pela tradição cristã.

Na Bíblia, aparece inicialmente como Baal-Zebube (“senhor das moscas”), uma forma pejorativa usada para ridicularizar o deus adorado em Ecrom (2 Reis 1). No Novo Testamento, torna-se Beelzebul, o “príncipe dos demônios”, um título ou sinônimo de Satanás, dotado de autoridade suprema sobre as forças malignas e capaz de comandar legiões de demônios (Mateus 12:24–27; Marcos 3:22; Lucas 11:15–19).

Ele é conhecido como o Senhor das Moscas , símbolo eterno de podridão, decomposição, pestilência, impureza e do mal em sua forma mais visceral e corruptora. Na demonologia ocidental clássica, figura entre os demônios de altíssimo escalão: poderoso, astuto, ligado a pecados carnais, corrupção, assassinatos, magia negra, bruxaria e domínio absoluto.

Na cultura magística e espiritual brasileira contemporânea, Belzebu ocupa um lugar de destaque tanto em práticas populares de baixa magia quanto em cultos de ancestralidade . Sua presença é particularmente forte em virtude da Egregora Brasilis (Egregóra Brasileira), essa força espiritual coletiva moldada pela fusão de tradições indígenas, europeias e, sobretudo, africanas. Em alguns grimórios, Belzebuth é reverenciado como imperador do continente africano, soberano sobre espíritos locais e vibrações ancestrais.

Belzebuth costuma se manifestar ou se comunicar com líderes e iniciados de maior importância na forma de uma mosca (negra, gigante). Em assuntos de grande peso ou decisões soberanas, aparece como um bezerro de aparência antinatural e monstruosa. Quando enfurecido ou em plena manifestação de fúria, vomita chamas, uiva como lobo e faz o ambiente se tornar opressivo e carregado de poder.

O ídolo típico dessa divindade viva e poderosa seria uma figura antropomórfica: um homem forte e imponente, com chifres de touro (símbolo de força, fertilidade e domínio), segurando um cetro mão levantada. Frequentemente representado com barba cerrada, coroa ou touca alta, tal como as estatuetas de Baal-Hadad encontradas em Ugarit e outros sítios arqueológicos cananeus.

Belzebu se regozija com honrarias condizentes com um senhor antigo e soberano:

  • libações de sangue (quando ritualmente autorizado e adequado)
  • vinho tinto, bebidas fortes, mel, café preto sem açúcar, leite (mais raramente)
  • queima de incensos potentes (mirra, enxofre, ervas fortes)
  • sacrifícios animais de grande porte (realizados segundo as normas da tradição)
  • devoção religiosa, respeito e reconhecimento de sua hierarquia.

A seguir, apresento as principais marcas, selos e caracteres de Belzebu, o Maioral, como Ele próprio gosta de ser chamado , pelos quais é possível confabular com Ele, estabelecer pacto, receber sua proteção, poder e glória, desde que o praticante esteja verdadeiramente disposto a pagar o preço exigido.

Imagem-Selo 1 – Clavicula Salomonis de secretis

Imagem-Selo 2 – Grimorium Verum

Imagem-Selo 3 – Compendium Rarissimum Totius Artis Magicae Sistematisatae

Imagem-Selo 4 – Grand Grimoire